Seguro prestamista no empréstimo pessoal: como identificar venda casada, cancelar cobranças e recuperar valores pagos

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Seguro prestamista no empréstimo pessoal: como identificar venda casada, cancelar cobranças e recuperar valores pagos

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Você fez um empréstimo pessoal ou tentou um crédito pessoal no app do banco, no caixa eletrônico ou com um atendente, e de repente percebeu que junto veio um seguro prestamista (ou “proteção financeira”)?

Em muitos casos, o consumidor só descobre depois, quando olha a conta, o contrato, o custo efetivo total (CET) ou nota que as parcelas ficaram mais altas do que o esperado.

Esse tema é um dos mais recorrentes no Brasil porque envolve duas coisas muito comuns na vida real: a pressa na hora do crédito (para organizar o bolso, quitar dívidas, realizar sonhos ou lidar com imprevistos) e a forma como alguns produtos são “empacotados” junto do empréstimo.

Quando esse seguro é imposto como condição para aprovação, pode configurar venda casada, uma prática proibida no Direito do Consumidor.

Neste artigo, vamos explicar como identificar se houve venda casada, como comparar o que foi ofertado com o que foi contratado, o que fazer para cancelar o seguro, e como buscar devolução dos valores quando a cobrança foi indevida.

O que é seguro prestamista e para que ele serve no empréstimo?

O seguro prestamista é um seguro ligado ao crédito. Em tese, ele serve para ajudar na quitação da dívida em situações específicas, como morte ou incapacidade do contratante (os eventos cobertos variam). A promessa é dar “segurança” para o cliente e para a instituição financeira, reduzindo risco de inadimplência em caso de imprevistos.

O problema não é existir seguro. O problema é quando o seguro é incluído sem clareza, sem escolha real, ou como exigência para liberar o empréstimo, principalmente quando o consumidor não queria, não entendeu ou não foi informado de forma transparente.

O seguro prestamista é obrigatório para conseguir empréstimo pessoal?

Na prática, não deveria ser obrigatório. O consumidor precisa ter liberdade de escolher se quer ou não esse produto. Se o banco condiciona a aprovação do empréstimo (ou melhora “demais” as condições só se você aceitar o seguro), isso pode indicar venda casada.

Muita gente ouve frases como:

  • “Sem o seguro, não aprova na análise de crédito.”
  • “É padrão do banco, todo mundo faz.”
  • “Se tirar o seguro, a taxa de juros aumenta muito.”

Atenção: o banco pode oferecer produtos, mas não pode impor. Se o seguro aparece como “obrigatório” no caminho do app ou no atendimento, isso é um forte sinal de prática abusiva.

O que é venda casada no empréstimo e quando ela acontece?

Venda casada é quando o fornecedor condiciona um produto ou serviço à contratação de outro. No contexto bancário, acontece quando o consumidor só consegue o empréstimo se contratar também o seguro (ou outros produtos) junto.

Isso pode aparecer de forma explícita (“tem que contratar”) ou disfarçada:

  • o seguro já vem marcado automaticamente no app;
  • a tela não mostra opção clara de recusar;
  • a oferta é apresentada como “pacote” sem explicação;
  • o contrato é assinado digitalmente sem que o cliente veja os custos separadamente.

É uma prática comum em crédito pessoal, mas também pode ocorrer em crédito consignado, renegociação, financiamento e até em operações atreladas a cartão de crédito.

Como identificar no contrato se existe seguro embutido nas parcelas?

O passo mais objetivo é procurar, no contrato e no detalhamento da operação, termos como:

  • “seguro prestamista”
  • “proteção financeira”
  • “seguro”
  • “prêmio”
  • “serviço de proteção”
  • “assistência” (às vezes aparece como produto agregado)

Depois, confira na sua conta corrente ou extrato:

  • há lançamentos mensais do seguro?
  • o seguro está embutido nas parcelas do empréstimo?
  • o valor do crédito liberado foi menor do que o prometido por causa de cobranças iniciais?

Uma dica prática: se você recebeu X de dinheiro, mas o custo total ficou muito maior do que imaginava, pode haver produto acoplado (seguro, tarifas e outros itens). Por isso, sempre compare custo efetivo total (CET) e a composição da parcela.

O seguro prestamista aumenta o custo efetivo total e pode “esconder” o custo do crédito?

Sim. O custo efetivo total é o indicador que mostra quanto o crédito realmente custa, somando taxas de juros e outros componentes da operação. Quando há seguro embutido, o CET pode aumentar de forma relevante, e o consumidor acaba pagando mais sem perceber.

É por isso que o CET é tão importante em qualquer análise de empréstimos: ele revela o custo do crédito “na vida real”, e não só a taxa de juros anunciada na oferta.

O banco pode dizer que o seguro prestamista é condição por causa da análise de crédito?

Bancos fazem análise de crédito e podem recusar concessão por critérios internos, isso é normal. O que não pode é usar a análise como desculpa para impor a compra de outro produto.

Na prática, o que vemos com frequência é o cliente ser direcionado a aceitar o seguro para “facilitar” ou “garantir” aprovação. Quando isso acontece sem liberdade real de escolha, pode configurar venda casada.

Posso cancelar o seguro prestamista depois da contratação do empréstimo?

Muitas vezes, sim. O caminho costuma ser:

  1. solicitar formalmente o cancelamento (pelo app, agência, SAC ou ouvidoria);
  2. guardar protocolos e comprovações;
  3. pedir o detalhamento do seguro e do valor cobrado (mensal ou embutido).

Se o banco dificultar (burocracia, negativa sem explicação, “jogo de empurra”), isso fortalece o caso para atuação jurídica. O ponto principal é documentar tudo: prints do app, mensagens, dados do contrato e comprovantes de pagamento.

Tenho direito à devolução do que paguei se houve venda casada?

Se ficar demonstrado que o seguro foi cobrado indevidamente (sem contratação válida, sem informação clara ou como exigência), é possível pedir:

  • restituição do que foi pago;
  • recálculo das parcelas do empréstimo sem o seguro;
  • em alguns casos, reparação por danos, dependendo do impacto (por exemplo, quando a cobrança gerou inadimplência, comprometimento do bolso ou agravamento da dívida).

O resultado e a forma (devolução simples ou em dobro) dependem do caso e das provas. Por isso, o ponto-chave é reunir documentos e demonstrar como o produto foi imposto, e não escolhido.

Quais provas ajudam a mostrar que o seguro foi imposto no app ou no atendimento?

As melhores provas, na prática, são:

  • prints da jornada de contratação no app (seguro já marcado, ausência de opção de recusa);
  • gravações/áudios (quando existirem) e protocolos de atendimento;
  • mensagens e e-mails;
  • contrato com cláusulas pouco claras e sem destaque de valores;
  • extratos da conta corrente mostrando cobrança do seguro/prêmio.

Se a contratação foi no caixa eletrônico, vale buscar comprovantes e extratos detalhados. Em muitos casos, o banco tem registros internos que precisam ser apresentados e o advogado pode pedir isso formalmente.

Qual é o caminho mais rápido para resolver: renegociar com o banco ou procurar advogado?

Se você suspeita de venda casada, um caminho inicial é contatar o banco e pedir:

  • cancelamento do seguro;
  • detalhamento dos valores;
  • revisão do custo total.

Mas, se houver negativa, dificuldade, ou se o problema já gerou prejuízo relevante, a orientação de advogados especialistas costuma acelerar a solução, porque:

  • organiza a prova;
  • formaliza pedidos corretamente;
  • avalia a viabilidade de acordo ou medida judicial;
  • busca recálculo do contrato e devolução de valores.

Além disso, é comum o consumidor estar lidando com várias dívidas ao mesmo tempo (empréstimo + cartão de crédito + contas do mês). Uma atuação estratégica evita decisões no impulso e reduz o risco de agravamento do cenário.

Seguro prestamista deve ser escolha, não exigência

O seguro prestamista pode ser útil em alguns perfis e objetivos, mas precisa ser uma decisão consciente do cliente, com informação clara, custo separado e opção real de recusa. Quando vira condição para concessão do crédito, entra o risco de venda casada, aumento indevido do CET e pagamento de um produto que o consumidor não queria.

Se você desconfia que o seguro foi “empurrado” no seu empréstimo pessoal, faça uma análise do contrato, dos extratos da conta e do CET. E, se necessário, busque apoio jurídico para revisar a operação, cancelar cobranças e recuperar valores. Esse tipo de caso é comum no dia a dia dos bancos e, com prova bem organizada, costuma ter solução.

Venda casada de seguro prestamista em empréstimo pessoal é um problema recorrente no Direito Bancário, assim como outras situações que recebemos diariamente, como RMC, RCC e superendividamento.

Na Garrastazu Advogados, atendemos todos os dias clientes com dúvidas e prejuízos envolvendo bancos e instituições financeiras, desde cobranças indevidas e contratos com produtos embutidos até renegociações e ações judiciais mais complexas.

Também atuamos em quaisquer outros problemas jurídicos, porque contamos com especialistas em todas as áreas e oferecemos atendimento online para todo o Brasil, com orientação clara, análise documental e estratégia prática para buscar a melhor solução em cada caso. Conte conosco!

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