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A Reforma Tributária trouxe muitas mudanças ao sistema tributário brasileiro, mas poucos temas despertaram tanta curiosidade e preocupação quanto o Imposto Seletivo. Popularmente chamado de “imposto do pecado”, esse novo tributo promete impactar diretamente o preço de determinados produtos e influenciar o consumo da população ao longo dos próximos anos.
Apesar do nome chamativo, o Imposto Seletivo na reforma não surge apenas para arrecadar mais. Ele faz parte de um novo modelo de tributação pensado para equilibrar interesses econômicos, sociais e ambientais. Quais produtos podem ficar mais caros, quando isso começa e como essa cobrança vai funcionar na prática?
O que é o Imposto Seletivo?
O Imposto Seletivo (IS) é um tributo criado pela Reforma Tributária para incidir sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Diferentemente de outros impostos, ele não se aplica a tudo: seu objetivo é desestimular o consumo de certos bens, ao mesmo tempo em que compensa os custos sociais e ambientais gerados por eles.
Esse imposto está previsto na Constituição e será detalhado por lei complementar e lei ordinária, dentro do processo de regulamentação conduzido pelo Congresso Nacional, com participação do poder executivo.
Por que o Imposto Seletivo é chamado de “imposto do pecado”
O apelido “imposto do pecado” vem do fato de que esse tipo de tributo já existe em vários países e costuma incidir sobre produtos como bebidas alcoólicas, cigarros e outros itens associados a riscos à saúde pública.
A lógica é simples: quem consome produtos que geram custos adicionais à sociedade (como gastos com saúde ou impactos ambientais) contribui mais para o sistema fiscal. Não se trata de punir o consumidor, mas de ajustar o sistema de tributação a esses efeitos.
Para que serve o Imposto Seletivo e qual é o objetivo desse imposto?
Os objetivo centrais do Imposto Seletivo são:
- Reduzir o consumo de produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente
- Compensar financeiramente os impactos causados por esses produtos
Ele integra o novo desenho do sistema fiscal, ao lado do IBS e da CBS, que compõem a tributação geral sobre bens e serviços.
Fato gerador: quando "acontece" o Imposto Seletivo?
O fato gerador, ou seja, o ato descrito na lei que indica quais ações fazem o tributoser cobrado, do Imposto Seletivo é a produção, comercialização, importação ou consumo de determinados bens definidos em lei.
Isso significa que:
- não é qualquer produto que paga o imposto;
- a incidência depende da natureza do bem, do impacto à saúde ou ao meio ambiente;
- a definição exata será feita por leis complementares e ordinárias.
Quais produtos podem ficar mais caros com o Imposto Seletivo
A lista final ainda depende de regulamentação, mas a própria Constituição e os projetos de lei complementar já indicam alguns grupos de produtos:
- bebidas alcoólicas;
- cigarros e derivados do tabaco;
- combustíveis fósseis, como gasolina e diesel;
- gás natural;
- energia elétrica de determinadas matrizes;
- bens minerais, como minério de ferro.
Esses bens são considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
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Bebidas alcoólicas, cigarros e outros produtos que entram na lista do Imposto Seletivo?
Entre os exemplos mais citados estão as bebidas alcoólicas e os cigarros, que geram impactos diretos na saúde pública. O custo do tratamento dessas doenças recai sobre toda a sociedade, justificando a tributação diferenciada.
O mesmo raciocínio se aplica a produtos altamente poluentes ou com grande impacto ambiental.
O Imposto Seletivo vale só para produtos ou também para serviços?
Em regra, o Imposto Seletivo incide sobre bens materiais. Ele não se confunde com a tributação geral sobre serviços, que será feita via IBS e CBS.
No entanto, serviços ligados diretamente à exploração ou fornecimento desses bens, como transporte de combustíveis, podem ser afetados indiretamente, refletindo no preço final.
Quando o Imposto Seletivo começa a valer?
Um ponto importante: o Imposto Seletivo não começa a valer imediatamente.
Ele faz parte de uma etapa posterior da Reforma. A implementação depende de:
- aprovação de lei complementar (como a LC 214/2025);
- edição de leis ordinárias;
- regulamentação por atos administrativos.
A expectativa é que sua aplicação prática ocorra a partir de 2027, dentro do cronograma da Reforma.
O Imposto Seletivo já vai aumentar os preços agora?
Não. Em 2026, não há aumento imediato de preços por causa do Imposto Seletivo. O período inicial da Reforma é de transição e testes.
Os impactos ocorrerão de forma gradual, conforme a legislação for sendo editada e aplicada.
Qual é a diferença entre Imposto Seletivo, IBS e CBS?
É comum confundir esses tributos. Em resumo:
- IBS e CBS: impostos gerais sobre bens e serviços (modelo de IVA)
- Imposto Seletivo: imposto específico, aplicado apenas a certos produtos
Como o Imposto Seletivo pode mudar o consumo das pessoas
Com preços mais altos para certos produtos, o consumo tende a mudar. Essa é uma consequência esperada e desejada pelo legislador.
Ao mesmo tempo, produtos menos nocivos ganham competitividade, estimulando escolhas mais sustentáveis.
O Imposto Seletivo pode pesar mais para quem ganha menos?
Essa é uma preocupação legítima. Por isso, a Reforma prevê:
- proteção a bens essenciais;
- atenção a impactos regressivos;
- análise do efeito sobre transporte público e itens básicos.
O objetivo é evitar que o imposto recaia de forma desproporcional sobre a população de menor renda.
O que ainda falta ser definido sobre o Imposto Seletivo?
Ainda dependem de definição:
- base de cálculo;
- alíquotas;
- lista final de produtos;
- regras de fiscalização e processo administrativo.
Impactos para empresas, Estados e Municípios
Para empresas, o Imposto Seletivo exige:
- adaptação de sistemas;
- ajustes em notas fiscais;
- atenção ao planejamento tributário.
Para Estados e Municípios, o desafio é integrar esse imposto ao novo sistema, garantindo gestão eficiente e respeito às competências federativas, inclusive em áreas sensíveis como a Zona Franca de Manaus.
O Imposto Seletivo na Reforma Tributária não é um vilão automático, nem uma solução mágica. Ele faz parte de um caminho mais amplo de reorganização do sistema de impostos no Brasil.
Sua implementação gradual permite ajustes, avaliação de impactos e maior previsibilidade. Para o cidadão, a principal recomendação é informação: entender o que muda, quando muda e por quê.
A Garrastazu Advogados acompanha de forma contínua a evolução da Reforma Tributária e a construção do novo modelo de tributação, incluindo temas sensíveis como o Imposto Seletivo e seus impactos sobre o consumo, a economia e os direitos dos contribuintes.
Com 25 anos de atuação no Direito brasileiro,temos como compromisso oferecer informação jurídica clara, confiável e acessível, ajudando cidadãos e empresas a compreenderem mudanças complexas do sistema fiscal.
Em um cenário de transição e regulamentação progressiva, a missão da Garrastazu Advogados é contribuir para a segurança jurídica, a tomada de decisões conscientes e o acompanhamento responsável das transformações que afetam a vida econômica e social do país.


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